Ninguém respeita aquilo que não conhece”. Wabuá Xavante

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Caminhos da etnomedicina indígena



Saberes sagrados são passados em forma oral de geração a geração desde os tempos mais remotos. Relatos míticos e experiências dos povos sobre conhecimentos tradicionais voltados à saúde são o que caracterizam a etnomedicina indígena. Etnomedicina é o ''saber popular e natural'' de um povo sobre formas de cura para enfermidades através do uso de ervas, plantas, raízes e outros produtos naturais que ajudam na cura e prevenção de doenças em conjunto com rituais espirituais.
Os remédios naturais são bastante conhecidos através da medicina tradicional e acabam abrangendo uma grande diversidade de práticas terapêuticas que vão desde simples massagens ao uso de substâncias encontradas em plantas e animais.
Um grande exemplo é o Kambô, veneno extraído da rã philomedusa, usado pelos índios katukina, do Acre, para tratar algumas doenças, que é famoso também por ser utilizado na cura do câncer.
Pajés e xamãs são os responsáveis em cuidar da saúde das pessoas dentro de uma comunidade indígena. A doença nunca é vista apenas do ponto de vista físico, mas sim principalmente do ponto de vista espiritual baseada nas crenças especificas de cada povo.
Um dos pajés mais conhecidos do Brasil é o Pajé Sapaim Kamayurá, que vive na aldeia Kamayurá no Alto Xingu (MT). O pajé ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente em 1986 quando foi chamado pelo ex-presidente Sarney para ajudar o biólogo Augusto Ruschi que havia sido picado por uma cobra venenosa.
O pajé Sapain usa o petyhm (erva alucinógena) em cerimônias religiosas para purificar o corpo do enfermo. Em estado de transe ao entrar no mundo espiritual ele diz conversar com o mamaé (guardião) do doente e através do dom da visão descobre que ervas usar para curar.
"O espírito da floresta me preparou para ser pajé. Daí quando eu descubro a doença e da onde vem, o espírito vai me mostrar. Então, eu conheço toda e qualquer planta, qualquer árvore. Bom, os médicos da Associação paulista, até hoje querem que eu mostre o remédio bom. O segredo do pajé. Pajé não abre a mão para eles" diz Sapain
Ensinar ao jovem indígena a medicina natural é fundamental para que ele continue passando os saberes de seu povo para as gerações futuras e também é onde está toda base da cultura indígena.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

A luta por uma Universidade Indígena no Rio de Janeiro

O antigo prédio do Museu do índio no Rio De Janeiro que estava em ruínas e pertence ao Ministério da Agricultura foi ocupado pelo Movimento dos Tamoios em 20 de Outubro de 2006 por 35 representantes de 17 etnias indígenas. O grupo reivindicava a recuperação, posse e administração do espaço que está desativado desde 1978 e a sua transformação em um ponto de difusão da cultura indígena, sob a óptica indígena
No dia 20 de Outubro de 2008 haviam participado do 1º Encontro Movimento dos Tamoios: Pelo Resgate dos Direitos dos Povos Originários do Brasil, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde foi votada a proposta de ocupação do antigo museu que havia sido fundado por Darcy Ribeiro e foi abandonado logo após a mudança de local para o bairro de Botafogo.
O movimento indígena no Rio de Janeiro está na luta por uma Universidade Indígena administrada por aqueles que estão desde o inicio na luta, que enfrentaram dificuldades todo esse tempo e também na luta pela reforma do local que continua em ruínas, buscando parceria com a UERJ, dentre outras instituições e tentando pressionar as autoridades.


sábado, 29 de maio de 2010

Religiosidade Indígena na Cidade


"Eles vieram com uma Bíblia e sua religião - roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito... e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao 'Senhor' por sermos salvos."
Cacique Pontiac, Indígena Americano

A cristianização dos indígenas começou na época colonial. Os colonizadores quando chegaram às Américas fizeram com que os índios fossem catequizados por seus padres e abdicarem de suas crenças e mitos, a chamada aculturação do índio. Hoje esse processo vem acontecendo de forma espontânea. Mas ao mesmo tempo, o indígena que vem para a cidade não tem como continuar praticando suas crenças no espaço urbano.
O militante indígena Urutau Guajajara, que nasceu em uma aldeia na região de Barra da Corda no Maranhão e hoje vive no Rio de Janeiro, comenta a respeito da fala de um líder Bororo: “O homem civilizado quando aqui chegou pisou duro, pisou forte, não só na terra, mas também no espírito, na alma dos nossos povos. Os rios cresceram e a água do mar ficou mais salgada, mais foi com a lágrima dos nossos povos” disse Urutau
Muitos indígenas que vem para a cidade começam a freqüentar as igrejas e centros religiosos, deixando de lado todo o aprendizado que adquiriram durante o tempo em que viveram em suas aldeias. Mas mesmo que eles quisessem continuar seguindo suas crenças, onde o fariam?
De acordo com o indígena acreano Ronaldo Apurinã é realmente muito difícil manter os costumes indígenas nas cidades, principalmente no que diz respeito a religiosidade: “Não é como um católico, que tem uma igreja a cada quarteirão. A prática religiosa indígena é diferente, e não tem espaço aqui, então muitos acabam encontrando novas formas de expressar sua religiosidade ou abandonam as crenças indígenas.”
Com maior acesso aos meios de comunicação, muitos indígenas se juntam a grupos de evangelização, e levam a “nova palavra” para suas aldeias de origem. Eles cantam músicas gospel na língua indígena, como é possível se ver no vídeo abaixo:



sexta-feira, 28 de maio de 2010

Morte silenciosa de crianças indígenas Matsés




Há muitos anos os povos que habitam a Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, fazem reivindicações e pedem socorro, pois suas comunidades vêm sofrendo de doenças que seriam controláveis com prevenção, vacinação e medicamento adequados.
O Povo Matsés, conhecido também como Mayoruna, habita a região de fronteira Brasil-Peru. A localização de suas comunidades é ao longo da bacia do rio Javari, no extremo oeste da Amazônia, é uma região de difícil acesso.
Apesar do trabalho que a Fundação Nacional de Saúde - FUNASA diz está desenvolvendo na região, doenças como Hepatite A, B e C ainda assustam os povos indígenas locais.Epidemias de malária também são bastante frequentes.
“Estou trabalhando com crianças Matsés no rio alto Jaquerana, tem 45 crianças indígenas. O Governo tem esquecido a criança indígena do rio alto Jaquerana do Amazonas que morre com malária e hepatite C, B, A.Dentro do território Indígena morre em silêncio ás crianças”, declara o assessor indígena do Vale do Javari - AM, Marcos Paulo Gonçalves Fortz (Matasenpe Mayorun).
Não é de hoje que denúncias da situação da saúde indígena na região vêm sendo feitas. Embora no Boletim Informativo Especial da FUNASA, de Abril de 2008, diga que o Vale do Javari, é o alvo principal das operações.

sábado, 15 de maio de 2010

A diversidade cultural dos povos indígenas



A estimativa é de que exista cerca de 250 sociedades indígenas no Brasil mais 180 línguas sendo faladas. O número exato não pode ser estabelecido, pois na medida em que existem grupos indígenas que vivem de forma autônoma, alguns não mantêm contato regular com a sociedade nacional.
De acordo com o Estatuto do Índio, esses grupos podem ser classificados como: isolados (no caso dos grupos que não tem contato com outras sociedades); em vias de integração (“em contato intermitente ou permanente com grupos estranhos, conservam menor ou maior parte das condições de sua vida nativa, mas aceitam algumas práticas e modos de existência comuns aos demais setores da comunhão nacional, da qual vão necessitando cada vez mais para o próprio sustento” – Artigo 4º do Estatuto do índio) e os integrados, que participam ativamente em outras sociedades.
As sociedades indígenas são muito diferenciadas entre si e, normalmente, essas diferenças não podem ser explicadas apenas em decorrência de fatores ecológicos ou razões econômicas. Ser índio para o indígena é diferente de ser índio para os não índios.
Na década de 50, numa tentativa pioneira de caracterizar as semelhanças e diferenças existentes entre os diversos grupos indígenas brasileiros, o antropólogo Eduardo Galvão desenvolveu o conceito de áreas culturais. Esse conceito procurou agrupar todas as culturas de uma mesma região geográfica que partilhavam um certo número de elementos em comum.
Assim, os grupos indígenas do Brasil foram classificados em 11 áreas culturais: Norte-Amazônica; Juruá-Purus; Guaporé; Tapajós-Madeira; Alto-Xingu; Tocantins-Xingu; Pindaré-Gurupi; Paraná; Paraguai; Nordeste e Tietê-Uruguai.
A área cultural do Alto-Xingu, por exemplo, adquiriu sua conformação geográfica a partir da observação de certos costumes comuns e específicos à maioria dos grupos indígenas da região. Entre esses costumes, destacam-se: a festa dos mortos, também conhecida como Kuarup; o uso cerimonial do propulsor de dardos; o uluri, acessório da indumentária feminina; as casas de projeção ovalada e tetos-parede em ogiva e o consumo da mandioca como base da alimentação desses grupos.
Para a definição das áreas etnográficas foram consideradas, sobretudo, as seguintes questões: a classificação lingüística, o meio ambiente e o contato das sociedades indígenas entre si e com as sociedades nacionais. A classificação lingüística é importante na medida em que existe um fundo cultural comum às sociedades que falam línguas relacionadas, fazendo supor que sejam oriundas de uma única sociedade anterior, mais remota no tempo. Por essa concepção foram estabelecidas 33 áreas etnográficas para toda a América do Sul.

domingo, 9 de maio de 2010

Redes virtuais chegam às aldeias




Com o apoio de órgãos governamentais e não-governamentais, vários grupos indígenas estão tendo acesso ao mundo virtual. É o exemplo do projeto desenvolvido pela ONG Thydêwá, que criou a rede social virtual Índios Online, com o objetivo de fortalecer o contato de todos os povos no mundo digital.
O Ministério da Cultura junto ao Ministério das Comunicações vem instalando tele-centros nas aldeias, possibilitando a inclusão, apesar de ainda haver algumas deficiências nesse sistema.
“A gente acaba ficando muito dependente do governo e de todos aqueles que oferecem ajuda. Não temos mais autonomia suficiente para fazer nosso oguata (caminhar) em busca de uma terra sem males onde possamos viver com dignidade e não como mendigos que recebem esmolas”diz o ativista indígena Junior Karaí Benites do Mato Grosso do Sul.




De acordo com Yakuy Tupinambá de Olivença – BA, a adaptação ao mundo virtual nem sempre é fácil. Segundo ela, o monitoramento de um profissional é muito importante e necessário, para que dúvidas sejam tiradas e para que se compreenda melhor. Ela hoje é ciberativista e possui seu próprio computador, além de ter conseguido muitas oportunidades, como conhecer outros países e participar de discussões de grupos de todos os estados do país, através de contatos feitos pela internet.
A maior preocupação desses grupos indígenas é preservar sua identidade e ao mesmo tempo usufruir de novas tecnologias, que possibilitem interagir com outros grupos e mostrar sua realidade para aqueles que a desconhecem buscando sempre autonomia.